A intérprete dos sonhos

“Inception” (A origem) é um ótimo filme. Não vou fazer uma resenha aqui, pois imagino que o leitor já tenha assistido, Se não assistiu, assista antes de ler este post.

Como toda boa obra, Inception (uso o nome original por achar a tradução despropositada) é recheada com detalhes que dão volume ao filme. Vou me ater a um, aqui: a música usada para o “salto”. Trata-se, para quem não conhece, de “Je ne regrette rien” (Não me arrependo de nada), uma das minhas canções favoritas. Imortalizada na voz de Edith Piaf, ela é, sem exagero, um marco na música e na história francesa da segunda metade do século XX.

httpv://www.youtube.com/watch?v=M5gpBncR8zI

Pôster do filme Piaf - Um hino de amor.

Ni le bien qu'on ma fait, ni le Mal.

Obviamente, a canção foi escolhida para representar o arrependimento do protagonista Cobb, que se culpa pela morte da mulher, Mal. A música tem dedicatória à Legião Estrangeira, braço do exército francês composto parcialmente por estrangeiros que combatiam nas colônias francesas. Os legionários eram famosos por terem cortados seus vínculos familiares e de amizade, e muitos se tornaram mercenários – tudo muito semelhante ao personagem do Di Caprio.

Mas a referência mais curiosa está relacionada a Mal: sua intérprete Marion Cotillard personificou Piaf na recente cinebiografia “La môme” (Piaf – Um Hino ao Amor).

E, para quem ainda acha pouco, vale a pena ouvir como fica “Je ne regrette rien” ao ser tocada lentamente – ou expandida no tempo, como nos sonhos do filme:

httpv://www.youtube.com/watch?v=wHqeQnXE9mo

Se não se lembra da música, assista ao filme de novo. E os créditos também – certamente vale a pena.

Suporte para celular

Em Dezembro eu estava fazendo compras na Liberdade quando encontrei uma daquelas tranqueiras pequenas que fazem toda a diferença. Um suporte para celular. Mas não um desses de colocar na mesa, algo muito mais original: um suporte que fica preso pelo carregador à tomada, e evita que seu celular fique jogado no chão ou que o fio fique atravessando a sala (e se torne alvo de chutes e arremessos).
 

 

.

O conceito é simples e o produto, bem feito. Ele consiste basicamente de uma placa de plástico em L com um furo pode onde passará os pinos da tomada. O próprio carregador vai, então, segurar o suporte e mantê-lo preso à parede. Na parte de baixo do L, fica a prateleirinha do celular. E, para completar, ainda é possível enrolar o fio que liga o celular ao aparelho na própria placa, tornando tudo mais limpo e organizado.

 

O desenho do produto é todo bem feito: o furo é grande o bastante para qualquer tomada ou carregador, e a "prateleira" para o celular é levemente inclinada para dentro, evitando que o aparelho caia facilmente. Aliás, o produto é nacional, com patente brasileira… será que registraram em outros países?. Bem, de qualquer forma, os chineses logo copiam.

A maior utilidade que eu vejo é para carregar o celular onde não há tomadas perto de mesas. Assim você evita ter que deixar o aparelho jogado no chão, sujeito a chutes e vassouradas. Ou, pior: passar o fio pelo chão, alguém topar com ele e o seu aparelho voar longe.

Para muitos, a situação típica é o trabalho, ou a escola. No meu caso, eu incluo nisso a casa de amigos, onde as tomadas das mesas estão sempre ocupadas, e meu celular sempre dorme no chão.

Eu o vi pela primeira vez na Liberdade, mas depois disso, já me deparei com ele na Camicado e na Kalunga. O preço é convidativo: R$6,90 na Kalunga, mas eu *acho* que paguei R$5,00 na Liberdade.

EDIT: Há outras utilidades para ele também. Ele pode segurar um roteador leve, ou servir de apoio para outros eletrônicos. Eu coloquei um carregador de pilha nele dia desses e imagino até uma base de telefone. Só é preciso prestar atenção na inclinação.

 

 

Technorati:

Powered by Bleezer

Algumas considerações sobre o iPad

E a Apple finalmente lançou o seu tablet, o iPad. Depois de tanta expectativa em torno dele, era natural que frustrasse alguns. E eu devo confessar, eu sou um deles. Espera um dispositivo mais completo vindo da Apple, que realmente permitisse uma experiência de computação totalmente móvel. Mas o que a Apple trouxe vou uma mistura de iPod com leitor de ebook que ela manterá totalmente sob o seu estrito controle.

Mas algumas coisas me deixaram contente com esse lançamento. Muito contente. Outras nem tanto. Vou postar aqui o que eu não li por aí.

Uma mãozinha ao ARM

A mais importante era algo que eu já esperava, mas eu queria ver confirmada, preto no branco: o iPad usa um processador ARM. A Apple sabe das coisas, e sabe que um dispositivo que depende tanto de bateria não pode se dar ao luxo de um x86 ou assemelhados.

É por causa disso que, nos últimos meses, sempre que alguém me perguntava, eu dizia: vou esperar o tablet da Apple. Não porque eu fosse comprá-lo, mas porque agora eu sei que outras empresas vão correr atrás de criar tablets e netbooks ARM. Sem isso, elas não tem como competir com a maçã em preço ou bateria.

A resistência a lançar computadores ARM é muito grande na indústria. O principal motivo é que a MS não publica uma versão ARM do Windows, e nem pretende fazê-lo, exceto pelo Windows CE, que dificilmente serviria para esse tipo de aplicação.

A alternativa então, seria o Linux (que pode ser recompilado para ARM e, de fato, já é a base do WebOs e do Android), mas isso daria muito trabalho: além dos drivers novos, seria preciso recompilar e talvez adaptar muitas aplicações. No caso de um tablet, isso fica ainda pior, pois as aplicações atuais são feitas pensando em mouse e teclado e interagir somente com dedos é bem diferente.

Mas agora, a Apple, com seu iPad, colocou todo o mundo para correr. Ou eles fazem tablets e netbooks baseado em ARM ou vão ter que convencer o consumidor a pagar mais caro por um produto com menos autonomia de bateria.

Só que a CES me tirou todas as esperanças de ver um dispositivo ARM esse ano. A maioria das empresas deixou o ARM para os ebooks e celulares, e os netbooks e tablets com x86 ( e AMD64, que seja) abundaram.

A minha torcida fica para que uma empresa consiga juntar as peças de um tablet com Android até o final do ano, e, assim, fazer frente a Apple. Fora isso, só resta o Google com seu Chrome OS, que a gente nem tem ideia de quando sai.

O Big Brother

Que ironia. A empresa que fez a propaganda do "Think Different" com referência direta a 1984, agora é o novo Big Brother, controlador, que escreve e apaga a história.

Os programas do novo tablet da Apple só podem ser instalados através da App Store. Isso significa que só rodarão softwares aprovados pela apple, o que quer dizer também que só o que interessa a ela passa. Um programa, com o Google Voice, que possa significar perda de receita ou desconforto à maçã está fora.

Além disso, a plataforma de venda de eBooks é, ao que parece, com DRM. Eu já rejeito totalmente qualquer material com DRM, mas no caso de livros eu sou ainda mais sensível. Imagina se a Apple resolve que "A cabeça de Steve Jobs" não é mais um bom livro para eu ler, pois a cabeça de Steves mudou? É só ela parar de reconhecer essa assinatura e pronto, o livro some, exatamente como a Amazon fez com  (mais ironia)1984, de George Orwell.

Não é o que ele tem, é o que ele não tem

Eu não tenho dúvida de que o iPad será um sucesso de vendas. Não pelo que ele tem, que não é nada demais, mas pelo que ele não tem. Parafraseando um comentário que eu li no /., ele não tem arquivos, ele não tem drivers, ele não tem configurações… ele não tem nada que confunda o usuário mais burro. É só sair dando dedada a torto e a direito que as coisas funcionam.

Escalando mal

Gente, com o a interface do iPhone ficou ruim em tamanho grande, hein? A Apple costuma fazer melhor com suas interfaces, e espero que eles melhorem isso até o lançamento do iPad.

Assim que eu vi isso, para ser sincero, eu me lembrei do webOs. A Palm, no seu lançamento, disse que esse sistema poderia usar telas de qualquer tamanho. E de, fato, dá para fazer o emulador funcionar até resoluções bem grandes e a coisa fica realmente interessante. A maioria dos programas também costuma ampliar muito bem, e não é só um zoom, não.

Infelizmente, a Palm não pretende lançar nenhum equipamento além de celulares, por enquanto. É natural, afinal, ela mal aguenta das pernas com os celulares, não tem condições de ir mais longe.
 

Pezinho

Eu juro que não entendi: porque eles não colocaram um pezinho, ou alguma forma de sustentação, embutida no iPad? Eu tenho que colocar aquele adaptador para teclado? Mais coisa para eu carregar? Poxa, era algo tão básico, e dava para colocar sem prejudicar a aparência do equipamento.

Google puto com a China, não vai mais acatar censura

Eu não sou muito fã de ficar repostando (para isso eu uso o Google Reader), mas isso é muito sério e muito importante. Achei que mereceia toda a publicidade possível.

Resumindo a ópera: o Google investigou determinados ataques que sofreu vindos da China e descobriu que eles tinham como alvo ativistas dos direitos humanos na China (alguns ativistas situados na China, enquanto outros na Europa).  Ele não diz isso diretamente, mas o texto implica claramente: isso é coisa do governo chinês. E nem precisaria o texto implicar, qualquer um que saiba juntar as coisas perceberia.

Assim, o Google tomou uma decisão: não vai mais acatar fornecer os seus serviços com a censura que o governo Chinês impõe. Ou o governo permite a operação sem essa censura,  ou o Google simplesmente fecha as portas na China. Na prática, eu acho que o Google fechará as portas na China.

Segue o texto completo , publicado o blog oficial da empresa:

Like many other well-known organizations, we face cyber attacks of varying degrees on a regular basis. In mid-December, we detected a highly sophisticated and targeted attack on our corporate infrastructure originating from China that resulted in the theft of intellectual property from Google. However, it soon became clear that what at first appeared to be solely a security incident–albeit a significant one–was something quite different.

First, this attack was not just on Google. As part of our investigation we have discovered that at least twenty other large companies from a wide range of businesses–including the Internet, finance, technology, media and chemical sectors–have been similarly targeted. We are currently in the process of notifying those companies, and we are also working with the relevant U.S. authorities.

Second, we have evidence to suggest that a primary goal of the attackers was accessing the Gmail accounts of Chinese human rights activists. Based on our investigation to date we believe their attack did not achieve that objective. Only two Gmail accounts appear to have been accessed, and that activity was limited to account information (such as the date the account was created) and subject line, rather than the content of emails themselves.

Third, as part of this investigation but independent of the attack on Google, we have discovered that the accounts of dozens of U.S.-, China- and Europe-based Gmail users who are advocates of human rights in China appear to have been routinely accessed by third parties. These accounts have not been accessed through any security breach at Google, but most likely via phishing scams or malware placed on the users’ computers.

We have already used information gained from this attack to make infrastructure and architectural improvements that enhance security for Google and for our users. In terms of individual users, we would advise people to deploy reputable anti-virus and anti-spyware programs on their computers, to install patches for their operating systems and to update their web browsers. Always be cautious when clicking on links appearing in instant messages and emails, or when asked to share personal information like passwords online. You can read more here about our cyber-security recommendations. People interested wanting to learn more about these kinds of attacks can read this U.S. government report (PDF), Nart Villeneuve’s blog and this presentation on the GhostNet spying incident.

We have taken the unusual step of sharing information about these attacks with a broad audience not just because of the security and human rights implications of what we have unearthed, but also because this information goes to the heart of a much bigger global debate about freedom of speech. In the last two decades, China’s economic reform programs and its citizens’ entrepreneurial flair have lifted hundreds of millions of Chinese people out of poverty. Indeed, this great nation is at the heart of much economic progress and development in the world today.

We launched Google.cn in January 2006 in the belief that the benefits of increased access to information for people in China and a more open Internet outweighed our discomfort in agreeing to censor some results. At the time we made clear that “we will carefully monitor conditions in China, including new laws and other restrictions on our services. If we determine that we are unable to achieve the objectives outlined we will not hesitate to reconsider our approach to China.”

These attacks and the surveillance they have uncovered–combined with the attempts over the past year to further limit free speech on the web–have led us to conclude that we should review the feasibility of our business operations in China. We have decided we are no longer willing to continue censoring our results on Google.cn, and so over the next few weeks we will be discussing with the Chinese government the basis on which we could operate an unfiltered search engine within the law, if at all. We recognize that this may well mean having to shut down Google.cn, and potentially our offices in China.

The decision to review our business operations in China has been incredibly hard, and we know that it will have potentially far-reaching consequences. We want to make clear that this move was driven by our executives in the United States, without the knowledge or involvement of our employees in China who have worked incredibly hard to make Google.cn the success it is today. We are committed to working responsibly to resolve the very difficult issues raised.

Posted by David Drummond, SVP, Corporate Development and Chief Legal Officer

Marginal Tietê: o erro anunciado

Recebi a carta logo depois das primeiras enchentes (no dia seguinte, eu acho), mas enrolei para publicar. De alguma forma, segue:

Carta das entidades envolvidas na luta contra a Ampliação da Marginal.

Esse texto é uma breve explicação sobre a tentativa de impedir que bilhões de reais dos cofres públicos fossem gastos com mais uma obra viária de eficiência e benefícios questionáveis, sem discussão popular. Possivelmente, conterá informações que jamais chegariam maciçamente à sociedade através da grande mídia.

Em meados do ano de 2008, surgiram as primeiras informações, ainda não oficiais, sobre um projeto de ampliação da quantidade de pistas na Marginal do Rio Tietê.

Como se sabe, a Marginal do Tietê é uma das mais importantes vias que integra a imensa malha rodoviária do país, não apenas porque é acesso para o abastecimento da cidade de São Paulo, a maior do país, mas, ainda, porque é passagem obrigatória para cargas provenientes ou destinadas aos maiores e mais importantes portos do Brasil.

Além disso, a Marginal poderia ser lembrada pelas enchentes que ocorriam com mais freqüência na década passada, e que originavam uma situação caótica, seja pela impossibilidade de tráfego na região, seja pelo desalojamento e morte de famílias que viviam em situação de risco.

Nada, porém, pode ser mais representativo desta imensa estrada urbana que a lentidão no tráfego, decorrente dos quilômetros de congestionamento diário, que tornam sacrificante a necessidade – inafastável para alguns – de circular por suas vias.

Diante dessa realidade, a Marginal do Tietê passa a ser emblemática para a compreensão de qual destino está sendo firmado à nossa cidade: se rumamos à tentativa de reverter equívocos urbanos e ambientais ou insistimos num modelo de conflito entre equilíbrio ambiental e vivência urbana.

Por essa razão, as intervenções urbanas propostas para a região do Rio Tietê não podem ser consideradas apenas sobre um enfoque: não apenas para solução dos problemas viários de imobilidade, nem, tampouco, para agasalhar propostas ambientalistas radicais de apartá-lo do acesso humano.

Assim, ao tomar conhecimento do projeto de ampliação das Marginais, a sociedade civil organizada, especialmente arquitetos, urbanistas, engenheiros, geógrafos, ambientalistas e lideranças de movimentos sociais atuantes em diversas áreas, passaram a dialogar sobre os impactos do projeto e sua eficiência.

Foram meses de estudos sobre o projeto, denúncias – e comprovações – de falhas no processo de licitação, até que foi iniciado o licenciamento ambiental (tudo isso em tempo recorde, como houvesse pressa para a entrega da obra).

O Estudo de Impacto Ambiental é precário na análise dos impactos ambientais e medíocre quanto aos impactos urbanístico-sociais. Não considerou seriamente o respeito ao patrimônio cultural, subestimou os danos ambientais diretos e os impactos nas áreas de influencia e dissimulou a realidade sobre a impermeabilização do solo na região (valendo-se de valores e parâmetros incompatíveis).

Pior ainda: o Estudo de Impacto Ambiental previu textualmente a desnecessidade de desapropriações para atividades comerciais ou habitacionais, em postura repulsiva e desidiosa com as centenas de famílias cuja remoção foi anunciada amplamente, até pelo Governo do Estado, além de atividades comerciais e esportivas como clubes que serão “rasgados”para a passagem das novas faixas.

Sobre esse tema, cabe um reforço: embora o estudo de impacto ambiental tenha previsto que não haveria desapropriações, o valor para tais iniciativas ultrapassou R$ 40 milhões. Não haveria, pois, alguma falha?!

Apesar das falhas ora apontadas – e tantas outras constantes de parecer elaborado pela Associação dos Geógrafos do Brasil – o procedimento de licenciamento ambiental foi concluído favoravelmente à realização do empreendimento.

Para tanto, foram exigidas compensações ambientais de altíssimo custo – aos bolsos dos contribuintes, claro -, o plantio de centenas de milhares de árvores a construção de uma ciclovia – não urbana, mas em um parque próximo -, entre outras exigências e recomendações que, conforme se verá adiante, não bastarão para esconder a nocividade do empreendimento.

Incoerentemente, é a compensação ambiental, com a criação de um parque, que vai acarretar a maior parte de desapropriação de famílias, e a construção de ciclovias que vai acarretar a supressão de milhares de árvores.

Essas “compensações” – que, efetivamente, nada compensam – fizeram com que o valor do empreendimento dilatasse exponencialmente. Eram R$ 850 milhões, passaram a ser R$ 1,3 bilhões e, até ultimas informações, nós, cidadãos do Estado de São Paulo, devemos assistir a R$ 1, 86 bilhões se esvaindo para custar uma obra de eficiência duvidosa – no mínimo.

Tudo isso aconteceu sorrateiramente, como fosse a população destinatária passiva deste ou qualquer empreendimento. Aconteceu de maneira obscura, sem publicidade prévia, sem convocação expressiva e, portanto, sem legitimidade.

Foram todos surpreendidos – apenas os que circulam pela região – com tratores nos canteiros e árvores históricas, robustas e vivas resumidas a raízes sem vida.

Diante dessa absurdez, aqueles mesmos cidadãos que buscavam dialogar, realizaram atos públicos in loco, manifestando através de faixas, cartazes e vozes a barbaridade anunciada.

Em resposta, o Governo do Estado de São Paulo, avesso ao diálogo, passou a investir vultosamente em propagandas que tinham sempre uma mesma finalidade: convencer os desinformados sobre a eficiência, sustentabilidade e necessidade das obras.

Foram milhões de reais aplicados na elaboração de campanhas publicitárias, criação de página na internet e todos os meios disponíveis para maquiar um empreendimento impróprio.

Desde sempre buscou o Governo desqualificar aqueles que se opunham à obra. Por vezes associando-os a Partidos Políticos, por outras questionando sua capacidade técnica.

Não restava outra alternativa, pois, senão a propositura de uma Ação Judicial para tentar suspender o empreendimento, pelo menos até que as dúvidas sobre riscos e benefícios fossem sanadas. E foi o que aconteceu.

No final do mês de julho de 2009, os representantes das entidades ingressaram com a Ação Civil Pública e aguardavam a decisão sobre o pedido de liminar, para suspender as obras. Infelizmente, apenas semanas depois houve a decisão que denegou o pedido, sob o argumento de que a Justiça não pode intervir nos atos do Poder Executivo – ainda que abusivos.

O Ministério Público foi chamado a se manifestar – conforme determina a legislação – e, em petição sintética e concisa, opinou favoravelmente à concessão da liminar, essencialmente fundado no principio da precaução, já acenou para que houvesse certeza sobre os riscos do projeto e suas eventuais remediações.

Além disso, a juíza responsável, em aparente desconhecimento do conteúdo do processo, fundou-se na ausência de documento que indicasse a insuficiência do Estudo de Impacto Ambiental (não nos esqueçamos que havia um Parecer da Associação dos Geógrafos Brasileiros juntada no mesmo dia)!

Foi, certamente, uma decisão infeliz e – preferimos acreditar – ressentida de conhecimento aprofundado sobre o processo, que já contava com 9 volumes e milhares de folhas.

Dos diversos predicados que foram atribuídos aos representantes das entidades que lutavam voluntariamente por essa causa, ressaltam-se os de fanáticos, malucos, oportunistas, desocupados e conspiradores.

Mesmo a Promotora de Justiça Maria Amélia Nardy Pereira, que apenas cumpria função atribuída por lei, foi alvo de grosserias, que tiveram seu ponto mais baixo com a acusação de ser oportunista, contida em texto do “jornalista” Reinado Azevedo, cujo título levava o nome “Veja bem, Maria Amélia,” em referência à Promotora.

Desamparados pelo Judiciário e com poucas possibilidades de concorrer com a truculenta publicidade da obra, só cabia aos representantes das entidades aguardar para que a tragédia anunciada se concretizasse. E, creia-se – pensávamos ter de esperar mais tempo.

Nos primeiros dias do mês de setembro, uma chuva incomum para o período (mas não para o verão), causou estragos em toda a cidade e região metropolitana, inclusive com a morte de pessoas. O Rio Tietê transbordou, as vias – sem drenagem – encheram de água, e a cidade parou. A resposta explicativa das nossas autoridades veio: culpa da natureza!

Por fim, o último sinal de que o lunatismo tinha um receio fundado: ontem, dia 08 de dezembro de 2009, o Rio Tietê transbordou – pela segunda vez em 3 meses – e, mesmo onde não houve transbordamento, o acúmulo de água resultante da impermeabilização das pistas, redundou no alagamento das faixas e sua interdição!

Diante de todos os fatos, é de se notar que se opor a mais essa obra viária bilionária não é uma questão de fanatismo ambiental ou de oportunismo partidário. Não se limita a discutir se a melhor opção é essa obra ou outra, se vamos plantar mais ou menos árvores, se outra obra de canalização ou aprofundamento de calha deveria ser feita, mas sim o rumo que a cidade toma.

O que buscamos, sobretudo, é difundir o questionamento sobre nosso modelo de cidade já saturada, na qual as discussões mais importantes estão em torno do trânsito caótico – como se todas as outras dificuldades que nos assombram fossem secundárias (saúde, educação, varrição de ruas, corrupção, moradia etc.).

Cada vez que aceitamos calados investimentos públicos em sentido diferente do que precisa nossa cidade, a cada enchente, cada desmoronamento, cada via obstruída e, principalmente, todo o trânsito que engessa a cidade, tem efeitos muito sérios, inclusive do ponto de vista econômico.

Quanto custa uma mercadoria parada? Quanto custa um caminhão entravado? E as casas completamente destruídas pelas águas!? Quanto custa todo o estoque de um dia no CEAGESP[1]? Quanto custa a vida de um filho? E a vida de quatro filhos soterrados no barraco situado em área de risco – e que cuja remoção foi negligenciada pelo Poder Público?

Nossa proposta é que esse debate sobre o rumo da nossa cidade esteja constantemente nos meios de comunicação, nas escolas, nas rodas de conversa. Para tanto, estamos à disposição, inclusive para debater com nossos governantes quais as prioridades para que nossa cidade seja cada vez mais saudável – e cada vez mais nossa.

Boa análise do Danilo Gentili

Recebi pelo Twitter (via @marioamaya) a indicação deste texto do Danilo Gentili. Basicamente senso comum, mas quem diz que senso comum não deve ser escrito?

Ah, e eu copiei o texto todo aqui porque o blog do cabeção não tem permalink:

HÁ HE HI ROBIN WILLIANS

Uns anos atrás os Simpsons vieram pro Brasil. Homer foi sequestrado. Bart ficou excitado com a loira de shorts enfiado na bunda que apresentava um programa infantil na TV. O menino pobre que a Lisa ajudou não tinha o que comer mas estava muito feliz desfilando no Carnaval.

Esses dias Robin Willians falou o seguinte: “Claro que o Rio ganhou de Chicago a sede das Olimpíadas. Chicago levou Michele e Oprah e o Rio levou 50 strippers e 500g de cocaína”.

Eu ri!

Advogados, autoridades e populares se revoltaram nos dois casos. Eles não se revoltam, não se mobilizam, não processam, não abrem inquéritos, não fazem passeatas quando o sequestro, a loira vagabunda apresentadora de programa infantil, a idiotice do carnaval, o tráfico de drogas e a prostituição acontece na vida real bem debaixo dos nossos narizes. Eles se revoltam só quando usam isso pra fazer piada.

A piada realmente boa sempre ofende alguns e mata de rir outros por um motivo simples: A boa piada sempre fala de uma verdade. Num País onde aprendemos a mentir, enganar, roubar, tirar vantagem desde cedo a verdade não diverte. Assusta. O cara engraçado pro brasileiro é sempre aquele que fala bordões manjados, dá cambolhatas no chão em altas trapalhadas, conta piadas velhas, imita o Silvio Santos e outras personalidades ou faz um trocadilho bobo mostrando ser um ignorante acerca dos assuntos. Esses bobos passivos nos deliciam porque nào incomodam ninguém! Um cara que faz um gracejo com uma verdade inconveniente pro brasileiro é como o alho pro vampiro. Merece ser execrado.

O brasileiro é uma gorda de 300 kilos que odeia ouvir que é gorda. Ela faz um regime pra parar de ouvir isso? Não! Regime e exercicio dá muito trabalho. É mais fácil ir no shopping, comprar roupa de gente magra, vestir e depois acomodar a bunda na cadeira do McDonalds. O problema é que nem todo mundo é obrigado a engolir que aquela fabrica de manteiga a Barbie só porque está com a roupa da Gisele Bundchen. Então é inevitável que mais hora menos hora alguém da multidão grite: “Volta pro circo!” ou “Minha nossa! É o StayPuff com o maiô da Dayane dos Santos?”. Então a gorda chora. Se revolta. Faz manha. Ameaça. Processa. Porque, embora ela tentou se vestir como uma magra, no fundo a piada a fez lembrar que ela é mais gorda que a conta bancária do Bill Gates. A auto-estima dela tem a profundidade de um pires cheio de água.

Ao invés de dizer que Robin Willians tem dor de corno, prefeito do Rio, vai cuidar primeiro da sua dor de mulher de malandro. Sabe? Mulher de malandro sim, aquela que apanha, apanha, apanha mas engole os dentes e o choro porque acha que engana a vizinha dizendo: “Eu tenho o melhor marido do mundo”.

Advogados. Vocês já são alvos de piadas por outros motivos. Já que se incomodam com piadas evitem ser alvos de mais algumas delas não processando Robin Willians. Invés de processo envie pra ele uma carta de gratidão. Pense que ele estava num dos melhores programas de TV do mundo e só falou de puta e cocaína. Ele poderia ter falado por exemplo, que o turista que vier pra Olimpiadas se nào for roubado pelo taxista será no calçadão. Poderia também ter dito que o governo e a polícia brasileira lucram com aquela cocaíca do morro carioca que ele usou na piada. E se ele resolvesse falar algo como: “As crianças do Brasil não assistirão as Olimpíadas porque estarão ocupadas demais se prostituindo”.? A…E se ele resolvesse lançar mais uma piada do tipo: “Brasileiro é tão estúpido que se preocupa com o que um comediante diz, mas não se preocupa no que o político que ele vota faz”?

Enfim… são muitas piadas que poderiam ter sido feitas. Quem é imbecil e se incomoda com piada, não seja injusto e agradeça o Robin Willians porque ele só fez aquela.

OBS: Meia hora depois que escrevi isso, enquanto procurava uma lan-house aqui no Rio para revisar o texto desse meu post me deparei com outra piada para Robin Willians, veja só:

IMG00087-20091201-1823

Continuação do post anterior

Bem, por problemas que eu não entendi direito, o post anterior foi publicado pela metade, em uma versão antiga. Tive que reescrever a segunda metade do post, e, claro , não ficou tão bom quanto a original. Paciência. Para quem acompanha por newsreader, segue a segunda metade reescrita. O post original foi alterado para acrescentar este pedaço:

Porque uma mudança tão repentina?

A mudança foi tudo, menos repentina. Quando eu estudava instalações elétricas no curso técnico a discussão já existia e estava avançada, e isso foi em 2000. A norma foi publicada em 2002, com um prazo de quase 10 anos para a adaptação completa.

O problema aqui é um misto de desinteresse público pelo assunto com uma falta de respeito por parte dos fabricantes e importadores. Da parte do público, o desinteresse seria até natural, se não fosse a falta de ação de órgãos e associações de interesse do consumidor. Esses sim, deveriam estar marcando em cima desde da época de discussão das normas, e não vi ninguém se manifestar até bem recentemente, e com comentários bem superficiais e sem nenhum entendimento do assunto.

Os fabricantes deveriam, já há vários anos, estar fabricando somente  equipamentos com o novo padrão de plugues. Muitos dos fabricantes locais já vem seguinho a regra – a maioria dos plugues de seus equipamentos já são compatíveis com o padrão. Mas alguns continuam produzindo, sem nenhuma necessidade, plugues com pino chato ou outros formatos incompatíveis. Do lado dos importadores, é compreensível, ainda que não justificável: mudar o plugue de cada equipamento importado aumenta o custo, e eles querem protelar isso ao máximo.

Daí vem a minha maior crítica quanto à regulação: ela determinou a obrigatoriedade da venda das tomadas novas antes da obrigatoriedade dos plugues novos. Isso significa uma janela em que é permitida a venda equipamentos com plugues incompatíveis com as tomadas disponíveis no mercado. O contrário deveria ter sido feito: os plugues novos deveriam ser mandatórios antes das tomadas novas, visto que os plugues novos são compatíveis com a maioria das tomadas antigas encontradas nas residências.

Conclusão

A padronização era necessária (sempre é), e se teve algum problema, foi porque demorou muito para acontecer. Foi escolhido um padrão moderno, já existente e compatível com o padrão de vários outros países. Outro fator importante é que ele é compatível com as tomadas antigas, dimunindo a necessidade de trocar as tomadas por causa de equipamentos novos. Tanto é que a maioria dos equipamentos encontrados nas lojas já vem vindo com o novo padrão de plugues e pouca gente notou.

N0s próximos anos a gente vai sentir ainda alguns incovenientes, enquanto equipamentos antigos estiverem com vida útil e, sem seguir o padrão, os adaptores serão necessários. E, para sempre, a gente se distanciou do padrão dos EUA, que é fonte (ou destino original) de muitos importabandos, o que pode significar a necessidade de adptadores para alguns casos por muito tempo. Mas qualquer um que importe algo da Europa (ou que foi feito para a Europa originalmente), não deve sentir diferença.

Na verdade, todo país tem esse problema e ele só seria resolvido com a adoção universal de um padrão. Algo difícil de acontecer, dados os interesses das indústrias locais (e, não duvidem, a padronização no Brasil também teve que atender a esses interesses locais). Mas o mais próximo disso que existe no mundo é o padrão adotado pelo Brasil: é um padrão do IEC, de onde vem quase todos os nosso padrões elétricos, e é compatível com padrões de vários países.

Do padrão brasileiro de plugues e tomadas

Há alguns meses tenho lido alguns artigos e reportagens comentando sobre o padrão brasileiro de plugues e tomadas, que está entrando na fase final de implantação. A maioria é de gente inconformada com a “mudança no padrão”. E, sinceramente, discordo da maior parte deles. Vou listar aqui os argumentos que eu mais tenho visto e os contra-argumentos.

Porque mudar o padrão?

Na verdade, não há mudança de padrão. O Brasil nunca teve padrão de plugues e tomadas: tudo o que tínhamos até agora era uma infinidade de plugues, alguns incompatíveis, e algumas tomadas, a maioria com entrada para permitir vários tipos de plugues, mas não todos. O caso mais evidente para a maioria das pessoas é o plugue de três pinos (o padrão NEMA 5-15, ou simplesmente, Tipo B), que equipava muitos computadores e monitores, e todos compravam adaptadores para ele.

Muita gente também vai se lembrar de algumas tomadas de pino chato que tem um pino mais gordinho que o outro. A gente fazia uma força , às vezes lascava a tomada, e ele entrava. Bem, isso não é defeito de fabricação: é simplesmente forçar a barra para um plugue do padrão NEMA 1-15 (ou simplesmente, Tipo A) polarizado entrar em uma tomada não-polarizada. De novo, problemas em trazer um padrão de fora para um lugar que não tem padrão nenhum.

E todas essas tomadas podiam ser vendidas no Brasil sem nenhuma regulamentação ou restrição. E todos se sentiam super confortáveis com as dores de cabeça que vinham disso, como se um plugue de um produto comprado no Brasil não encaixar direito nas tomadas do Brasil fosse a coisa mais normal do mundo.

Porque não adotar um padrão já existente?

Na verdade, adotamos um padrão já existente. Mais que isso, um padrão existente e que é compatível com o da maioria do mundo.

Quando eu estudei instalações elétricas (em 2000) a discussão, que já durava anos, já estava avançada e parecia ir em direção ao padrão do IEC. Foi o que de fato aconteceu, e em 2002 foi ratificado o padrão brasileiro de plugues e tomadas, que é basicamente um subconjunto do padrão do IEC, acrescido de um padrão para mais de até 20A, enquanto a tomada do IEC vai até 16A.

Tudo bem, mas pode-se dizer que o IEC 60906-1 nunca foi adotado oficialmente por nenhum país. Porém, ele foi  feito pensando em compatibilidade com o quase-padrão europeu, o Europlug, que é usado em praticamente todos os equipamentos na Europa. Isso significa que o padrão brasileiro é compatível com praticamente qualquer equipamento vendido na Europa, exceto os de alta corrente e os do Reino Unido.

Aliás, basicamente todo o equipamento de pino redondo que você comprava antes era um Europlug. É importante notar, porém, que o Europlug não é exatamente um padrão, mas um tipo de plugue que serve na maioria dos padrões de tomada europeus.

Porque uma mudança tão repentina?

A mudança foi tudo, menos repentina. Quando eu estudava instalações elétricas no curso técnico a discussão já existia e estava avançada, e isso foi em 2000. A norma foi publicada em 2002, com um prazo de quase 10 anos para a adaptação completa.

O problema aqui é um misto de desinteresse público pelo assunto com uma falta de respeito por parte dos fabricantes e importadores. Da parte do público, o desinteresse seria até natural, se não fosse a falta de ação de órgãos e associações de interesse do consumidor. Esses sim, deveriam estar marcando em cima desde da época de discussão das normas, e não vi ninguém se manifestar até bem recentemente, e com comentários bem superficiais e sem nenhum entendimento do assunto.

Os fabricantes deveriam, já há vários anos, estar fabricando somente  equipamentos com o novo padrão de plugues. Muitos dos fabricantes locais já vem seguinho a regra – a maioria dos plugues de seus equipamentos já são compatíveis com o padrão. Mas alguns continuam produzindo, sem nenhuma necessidade, plugues com pino chato ou outros formatos incompatíveis. Do lado dos importadores, é compreensível, ainda que não justificável: mudar o plugue de cada equipamento importado aumenta o custo, e eles querem protelar isso ao máximo.

Daí vem a minha maior crítica quanto à regulação: ela determinou a obrigatoriedade da venda das tomadas novas antes da obrigatoriedade dos plugues novos. Isso significa uma janela em que é permitida a venda equipamentos com plugues incompatíveis com as tomadas disponíveis no mercado. O contrário deveria ter sido feito: os plugues novos deveriam ser mandatórios antes das tomadas novas, visto que os plugues novos são compatíveis com a maioria das tomadas antigas encontradas nas residências.

Conclusão

A padronização era necessária (sempre é), e se teve algum problema, foi porque demorou muito para acontecer. Foi escolhido um padrão moderno, já existente e compatível com o padrão de vários outros países. Outro fator importante é que ele é compatível com as tomadas antigas, dimunindo a necessidade de trocar as tomadas por causa de equipamentos novos. Tanto é que a maioria dos equipamentos encontrados nas lojas já vem vindo com o novo padrão de plugues e pouca gente notou.

N0s próximos anos a gente vai sentir ainda alguns incovenientes, enquanto equipamentos antigos estiverem com vida útil e, sem seguir o padrão, os adaptores serão necessários. E, para sempre, a gente se distanciou do padrão dos EUA, que é fonte (ou destino original) de muitos importabandos, o que pode significar a necessidade de adptadores para alguns casos por muito tempo. Mas qualquer um que importe algo da Europa (ou que foi feito para a Europa originalmente), não deve sentir diferença.

Na verdade, todo país tem esse problema e ele só seria resolvido com a adoção universal de um padrão. Algo difícil de acontecer, dados os interesses das indústrias locais (e, não duvidem, a padronização no Brasil também teve que atender a esses interesses locais). Mas o mais próximo disso que existe no mundo é o padrão adotado pelo Brasil: é um padrão do IEC, de onde vem quase todos os nosso padrões elétricos, e é compatível com padrões de vários países.

Como NÃO dar uma notícia, estrelando a Info

Olha, eu provavelmente tenho telhado de vidro: eu vivo postando notícias no blog do Ultra Downloads e, talvez, em alguma tentativa de tornar uma notícia mais clara para o público geral, eu tenha generalizado demais ou falado alguma besteirinha.

Mas tomara que eu nunca tenha escrito nada do naipe dessa matéria da Info Online:

Windows 7 usa código do Linux, admite MS

A manchete já começa errado. Faz parecer que alguma ferramenta do core do Windows 7 usa código do SO do Linux. Não poderia ser mais errado. Primeiro, a tal ferramenta fica disponível em separado para download no site da MS e não faz parte do sistema. Da mesma maneira, o programa original, o  ImageMaster, não faz parte do Linux. É só um programa para Linux como qualquer outro. Ele sequer faz parte do projeto GNU.

SÃO PAULO – A Microsoft admitiu que uma ferramenta utilizada no Windows 7 usa códigos desenvolvidos pela comunidade Linux e liberados sob licença GPL v2.

A ferramenta em questão é um conjunto de códigos usado para tornar mais rápido o boot do Windows 7 em netbooks. A presença de códigos Linux no Windows 7 já havia sido apontada por programadores da comunidade Linux, mas só agora recebeu uma confirmação pública da Microsoft.

A Info nem se prestou a se informar para que serve o programa. O programa não serve para tornar mais rápido o boot do WIndows 7 netbooks, mas sim para permitir a instalação do Windows 7 em dispositivos sem leitor DVD, como é o caso dos netbooks.

Em blog, o gerente da Microsoft para open source 7 Peter Galli afirma que “após uma investigação preliminar” a companhia constatou a presença de códigos Linux na versão do Seven para netbooks.

Sequer existe versão do Windows 7 para netbooks. O que existe é só aquele programa.

Galli disse que o recurso foi desenvolvido por parceiros, o que segundo ele não diminui a responsabilidade da Microsoft no caso, já que a companhia deve saber que códigos seus fornecedores estão usando.

O uso de códigos Linux pela Microsoft não é errado do ponto de vista legal, já que a licença GPL v2 torna os códigos publicados sob essa versão livres para uso.

Desta vez, a Info decidiu ir à defesa da Microsoft depois que ela mesmo admitiu estar errada. Usar código GPL é permitido, naturalmente, mas é obrigatório disponibilizar o código-fonte para o usuário, bem como todo software publicado a partir de código GPL deve continuar GPL – a Microsoft colocou a sua própria licença, e uma bem restritiva.

A Microsoft anunciou ainda que tornará públicos os códigos da ferramenta de auxílio ao book que leva informações criadas pela comunidade Linux.

Resolvido o problema do Itaú.b.br

É claro que, dado o problema do itau.b.br, eu não fiquei só reclamando no blog e no Twitter. Enviei, junto com o post no blog, uma reclamação pelo Itaú Bankline. Eles me responderam ontem pedindo para que não identificaram nenhum problema e que eu entrasse em contato com o telefone do SOS Bankline.

Só nessa já deu para ver que eles não entenderam nada do problema: devem ter testado o itau.com.br e nem se tocaram que eu falava sobre o itau.b.br. E me mandaram para quem cuida de resolver problemas simples nos computadores. Bem, isso só serviu para que eu avaliasse a falta de informação no atendimento do Itaú Bankfone: lá, ninguém, nem o supervisor, sabia do que se tratava o domínio .b.br. De fato, eles acreditavam piamente que esse endereço nunca existiu ou que não era do Itaú.

Optei, portanto, por registrar uma reclamação no SAC. De novo, tive que insistir com o atendente sobre a existência e o fim da operação de itau.b.br. Depois de muita conversa, finalmente ele registrou a minha queixa, ontem.

Hoje, um representante do Itaú me liga. Conversamos um pouco e verifico que o endereço itau.b.br voltou a funcionar normalmente! Ele, muito interessado, me fez algumas perguntas sobre a utilidade desse endereço .b.br (eu expliquei do caso do Bradesco e como isso é uma segurança extra). Ele, muito atencioso, ainda me respondeu que tinha ouvido falar que haveria um domínio só para bancos no Brasil – e eu expliquei que essa era justamente o tal domínio.

Bem, de qualquer maneira, de forma misteriosa, o domínio .b.br voltou a funcionar depois de mais de 1 mês parado, e justamente no dia em que registrei a queixa. Post hoc ergo propter hoc, e eu diria que foi por minha causa. Mas fica a dúvida.